Fundamentos teóricos da pesquisa

A pesquisa perpassa através do campo teórico, com autores que discutem a importância da memória social e seu uso, bem como ela se faz presente na cultura literária (escrita e oral) caririense, além da necessidade de preservá-la no meio digital e comemorá-la com as futuras gerações. 

Observamos então que seria necessário estudar e debater a priori conceitos de memória – social e individual - abordados por diferentes especialistas, do meio acadêmico e popular, uma vez que segundo o semioticista russo Iuri Lotman (2000) “cultura é uma memória coletiva”, havendo aí uma das justificativas de trazer à baila os autores que abordam a temática da memória do povo.

Perpassando os conceitos de memória, com Aristóteles, Pollack, Halbwachs, LeGoff, Lotman (2000) e outros, chegamos então à dicotomia da memória individual e coletiva. Nisso, vemos que a memória coletiva irá ser transformada através dos séculos, da mesma forma que seu método de ligar os indivíduos aos conceitos e rituais sociais.

Observamos que a memória social vem desde a oralidade até os meios digitais, ressaltados pelas pesquisadoras Monteiro, Carelli e Pickler (2008), assim como Lévy (1998), debatendo a importância e a urgência do suporte digital para a mediação cultural e sentido democrático da cultura popular para as comunidades, e fazendo o questionamento se essas mesmas mídias são parte importante da mediação cultural entre os leitores/ouvintes e os folhetos. 

Chegamos a entender que a memória social preservada e difundida dentre os meios digitais possuem prós e contras, mas que não pode deixar de estar na mesa dos debates acerca da mediação cultural. Entendemos, então, que a memória digital serve como um novo meio para divulgar a cultura dos indivíduos, do mesmo modo que a literatura de folheto.

Para que possamos, então, preservar essa memória do povo (nordestino) se faz presente algumas ações que mantém viva essa cultura rica, como o Laboratório de Ciência da Informação da UFCA, o LACIM, que salvaguarda esses materiais e permite a pesquisa acerca deles. O laboratório conta com inúmeros cordéis, que necessitam ficar preservados também no suporte digital, uma vez que essa é uma tendência atual, e forma de mediar a cultura cordelista ao povo.

Portanto, convém trabalhar primeiramente o que é essa literatura de folheto, seus conceitos, ideias e ideais. Daí temos autores que não conservam uma ideia eurocêntrica de literatura de cordel, mas conceitos novos e decoloniais que traduzem as tendências atuais de revisar uma história já formalizada e antes não questionada.

Dentro desses questionamentos, observamos que os cordéis nordestinos aparecem a partir da poética oral de cantadores do século XIX, que traduziam pensamentos em palavras cantadas. Nos são apresentados à pesquisa os especialistas literários Zumthor, Márcia Abreu, Ria Lemaire etc., que nos trazem à luz de novos pensamentos acerca da cantoria e da poética cordelista.

Assim, chegamos ao ponto de encontrar uma possível resposta ao questionamento citado, sendo a criação de um banco de dados para o Lacim, em que nele possam estar os cordéis de seu acervo, de forma que os mesmos possam ser acessados via digital, sem a necessidade do manuseio dos materiais, além de concretizar um mecanismo interessante e intuitivo para a mediação literária do cordel.

Esse banco de dados será em formato de blog, com postagens dos cordéis em formato PDF, com acesso restrito ao Lacim, por conta dos direitos autorais dos autores dos cordéis do acervo. Esse portal se chamará CordeLacim, juntando os termos Cordel + Lacim. 

Construindo um espaço mais democrático e acessível, esse banco de dados é uma resposta para o questionamento principal dessa pesquisa, mostrando afirmativamente que as tecnologias digitais são um passo importante para a mediação cultural da literatura de cordel, preservando e contribuindo para a mesma.
Então, começaremos nossas discussões primárias acerca da memória coletiva e sua importância social.

Por Igor Aquino de Pinho

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Sobre o portal e objetivos

O homem que enganou o diabo

Maria Garrafada mestra do amor, pecadora e santa