Folhetos (oralidade)

O cordel representa a transcrição da voz do poeta, que busca registrar por escrito o que o cantador expressa com suas palavras, capturando a essência da cantoria, as rimas e as construções literárias. O folheto não apenas documenta para as gerações futuras as criações do cordelista, mas também permite que suas memórias sejam revividas em qualquer momento.

Portanto, a escrita não deve ser vista como superior à oralidade, pois no cordel, ambas são distintas e igualmente fundamentais; elas constituem os alicerces dessa forma literária. Devemos apenas reconhecer que são duas modalidades diferentes (embora complementares) que são preservadas e reproduzidas em tempos diversos: uma na oralidade e a outra na escrita, e atualmente na forma digital.

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Zumthor (1997) assinala que a oralidade na expressão poética representa uma das bases culturais, desafiando os estigmas associados à preferência pela escrita. Embora reconheçamos a importância da forma escrita, não podemos subestimar o valor da oralidade. Contudo, devido à sua natureza temporal na preservação da memória, a oralidade se mostra menos eficaz como suporte para informações a longo prazo. A salvaguarda de informações surge como uma característica intrínseca à prática da escrita.

Na transição da expressão oral da cantoria para sua forma escrita, ocorre a perda de características, como a performance ao vivo da poesia, a interação visual com a plateia e até mesmo as nuances do momento. Essa nova modalidade de preservar a poesia não deve ser encarada como algo negativo, mas sim como uma forma diferente de celebração, conectando lugares, memórias e pessoas.

Dessa maneira, o cordel permeia a região nordeste brasileira há mais de duzentos anos, forjando uma identidade cultural a seu redor, com temas recorrentes como a seca, o gado, a natureza e a boiada, entre outros. Em 2018, o folheto nordestino conquistou o reconhecimento como Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro pelo Iphan, marcando um ponto significativo da cultura brasileira.


REFERÊNCIAS

ZUMTHOR, Paul. Introdução à poesia oral. São Paulo: Editora Hucitec. 1997.


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